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O ocidente imagina a china segundo os seus próprios desejos [The West imagines China according to its own desires]

Xu Dong, Hu
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"Na China contemporànea, especialmente desde o ano 1979, há fenómenos sociais e culturais bem complexos. Vários ingredientes discursivos (no sentido que Michel Foucault dà à palavra "discurso"), com vários reagentes, vibram e oscilam em uma "proveta" que se chama China. Nela estào, por exemplo, os discursos de modernidade/pós-modernidade ocidental; do nacionalismo jacobino, do marxismo revolucionário; da China antiga e elitista. Dentro da "proveta" China, esses discursos se debatem, entram em conflito, e ninguém sabe o resultado futuro. Desde o final do século XX, o Ocidente está novamente fascinado pela China como um gigante economico. Algo semelhante ocorreu quando o Ocidente ficou fascinado pelo pensamento antigo da China, na época do esclarecimiento, e quanto o Ocidente ficou fascinado pela riqueza do nosso país, na época da colonizagào. Todas essas fascinagòes foram fenómenos causados por visòes parciais. Como Zhang Lun disse, a complexidade da cultura contemporánea na China nào está à mostra, está escondida. Quem nào conseguir ver o todo, deixar-se fascinar por fenómenos parciais, provavelmente vai compreender mal a realidade chinesa, vai perder a visào geral. De fato, quase todo mundo ocidental, inclusive o Brasil, sempre imagina a China, segundo os seus próprios desejos. Sobre o interesse pela China que agora acomete o Brasil, quero dizer que a China nào se resume a taxas de crescimento económico, ideogramas utilizados como decoragào e outras manifestagóes culturais."
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Topic
Type
Article
Date
2004
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With permission of the license/copyright holder
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